quarta-feira, 5 de junho de 2013

O náufrago e o cirurgião

Afogam-se as minhas palavras. Outrora, fosse me dado um assunto e jorrariam palavras minhas sobre ele, opiniões, interpretações, considerações, críticas, análises. Mas sobre aquilo que realmente importa não consigo falar. Algo me impede a voz. Apenas deliro. É impressionante como somos capazes de fazer tanto mal, ainda que queiramos fazer apenas o bem. Chega um momento em que não conseguimos enxergar a linha que divide as coisas. Quando negar ajuda é egoísmo e quando passa a ser sobrevivência? Quando ferir ensina e quando maltrata? Onde termina o céu? Onde acaba o mar?

Sempre pensei muito sobre a distinção entre as coisas. No final, não há distinção. Interpretamos de acordo com o contexto que está dado. Assim, uma mesma ação ousada levará o título de coragem quando der bons frutos, e de irresponsabilidade quando malograr. O pai que castiga o filho, está traumatizando-o ou ensinando? E como saber, sem fazê-lo?

Dar-se em sacrifício para ajudar outrem: bondade sublime ou idiotice masoquista? Como saber? Dado o contexto em que vivemos, onde cada um só se preocupa consigo mesmo, parece que a segunda opção é a que vale. As pessoas cobram o bem que você lhes deixa de fazer, sem se aperceber do mal que lhe fazem.

Nunca tive más intenções, embora nem sempre tenha agido bem. Ou melhor, minto. Tive más intenções, mas que no momento me pareciam a justa retribuição aos ferimentos sofridos. Pura tolice! O mal nunca pode ser justo, o mal nunca pode ser o bem, por mais que tente se passar por ele. Mas como então, explicar o valor do sofrimento? Como desculpar-se o médico que fere o braço da criança em prantos, aterrorizada, em nome de um bem vacinal? Estará ele fazendo bem? Ou estará fazendo mal?

Dizem que o sofrimento ensina. Mas ensina o que? Ensina a sofrer?

E que um sofrimento menor capaz de aplacar outro maior é justificado. Eu já não sei o que dizer. Não me parece honesto decidir sobre um sofrimento que não se sente. O sofrimento alheio sempre nos parece mais ameno que aquele que consome nossa própria carne. Ou nossa própria alma.

Certa vez, conversando com uma pessoa muito querida, concluímos que não há sofrimento maior que aquele que aflige a alma. Desse-me Deus a possibilidade, não pensaria duas vezes em escolher a maior dor carnal em troca de completo alívio das aflições do espírito.

Mas não existe tal troca. Não existe tal alívio.

As dores do corpo são muito urgentes e, para saná-las, recorremos com pressa à quaisquer meios disponíveis. Colocamos o dedo queimado sob a corrente de água fria. Tomamos analgésicos para as dores do corpo. Usamos anestésicos para adormecer as feridas abertas. Um rapaz com a perna quebrada, não pensa senão em algo que lhe estanque a dor, mais que o sangramento. Buscamos o descanso quando o desgaste nos consome, quando os músculos dóem, quando continuar parece um enorme sacrifício. E buscamos o ar quando somos asfixiados! Respiramos, ofegantes, despertos novamente. São mesmo desejos muito urgentes!

Contudo, ainda mais urgentes são as dores da alma. Mas para estas não há remédio imediato. Não há procedimento que alivie a dor. Fazer uma cirurgia em um paciente, observá-lo com a pele cortada, a carne exposta, as vísceras remexidas, e sem anestesia, falar para que aguente, que a dor vai passar. Essa é a sensação de quem tem a alma aflita. A mente arde, seus pensamentos corróem como ácido. Não é possível pensar, agir. Tudo vira uma dolorosa confusão sem fim. Desespera-se por uma medida de alívio, mas nada pode parar a dor. Grita-se, chora-se, esperneia-se, tal qual faria o rapaz da perna quebrada, se deixado fosse no meio da multidão sem auxílio. Mas nenhum socorro vem.

Entretanto, o quadro é ainda mais tétrico. Não apenas falta um socorro imediato, mas também a previsão de alívio. Submetido à uma dolorosa cirurgia, o paciente ao menos conforta-se esperando que, ao término do procedimento, sua dor esmoreça, as feridas cicatrizem, os tecidos se recompanham, esqueçam o trauma a que foram submetidos e voltem a funcionar. Mas não com a alma. Nunca se sabe quando uma alma parará de doer. Talvez nunca. E essa incerteza corrói mais ainda. A falta de perspectivas positivas às quais se apegar mata. Náufragos, sem ter em quê se segurar, nadam sem parar. Não sabem se um dia encontrarão uma ilha onde se refugiar ou uma embarcação que os salve. Talvez todo sofrimento para se manter vivo seja inútil. Talvez fosse mais proveitoso se entregar à inevitável morte no mar, escapando ao menos da agonia da exaustão corporal. Entregar-se às ondas...

Tendo a morte como certa, de que vale uma vida de sofrimento?

Não há feridas à mostra, ossos quebrados, hematomas, sangue, febre. Nada diagnosticável. Nada compreensível para quem não sente. A dor segue incólume; o doente, esquecido, vagando sozinho, abandonado, invisível, incompreensível. Não se vêem mortos enterrados, sob a terra, sob as águas, sob as máscaras. Nada se sente por eles. Nada pode ser feito para ajudá-los.

Mas o sofrimento da alma é inevitável. Pois aquilo que faz a alma sofrer está por aí, em todo lugar, contaminando o ar, a água e os olhares. Inspira-se, bebe-se, sente-se o sofrimento por toda a parte, carecendo apenas da sensibilidade para ser por ele afetado. E quem sofre, faz sofrer! Machuca a todos. Quase num grito desesperado por socorro.. Um grito jamais capaz de transpassar o deserto ao redor. Um grito silencioso. Um grito que já nasce morto na garganta, afogado pelas águas desse mar.

Se eu amo? Claro que sim! Em especial as pobres criaturas sofredoras. Queria tanto poder fazer algo para lhes subtrair o sofrimento, mas toda tentativa redundou em piora. Perdoai meu fracasso contigo. Sinto-me como o cirurgião que, prometendo-te extrair o tumor, percebe-se incapaz e abandona a operação, deixando-te ainda com a doença e a barriga aberta a sangrar. Jamais devias ter confiado em mim, tão inexperiente doutor, cujas entranhas também dóem, sem que seja capaz de as apaziguar.

O amor parece só poder vir do sofrimento, pois só quem sofre é capaz de entender o que se passa noutra alma sofredora (ou só pode vir da felicidade?). Mas entender, compreender, querer, não são bastantes para ajudar. Jamais consegui te ajudar. Aliás, talvez tenha conseguido, em breves momentos. Espero que pelo menos um dia de tua vida tenha sido melhor graças a minha presença nele. Muitos meus assim o foram graças a ti, muito embora outros tenham sido bem piores pelo mesmo motivo... desculpe! Eu falo demais, e você não merece tais cobranças. Erramos os dois. Talvez eu mais. Nunca saberemos de verdade. Mas sempre tentei ter boas intenções.

E continuo as tendo. Por isso busco evitar o máximo possível mexer naquilo novamente. Descobri-me um péssimo cirurgião de almas. Não tenho estômago para mexer nas entranhas de um espírito. Muito mais fácil abrir o corpo, cortar, remendar e fechar. A cicatrização da alma, por sua vez, é muito mais lenta e complicada, e o mínimo erro pode deixá-la sangrando eternamente. Sem falar que não há instrumentos de proteção. Não há luvas para os cirurgiões de almas e é muito fácil se contaminar por aquilo que se deseja tratar. Também é fácil se contaminar pelos sonhos, pelos sorrisos, pelo carinho, que de uma hora para outra podem desaparecer. E você se percebe sozinho. E vê que, na verdade, não operava a alma de outrem. É você quem está ali, deitado sozinho no centro cirúrgico, ò cirurgião desalmado, é você quem precisa de reparos. Mas o quarto continua sozinho e você não tem a quem gritar. Ou talvez sejam só ilusões... que bobagem, achar-me um cirurgião, achar-me deitado numa cama, quando sou apenas um simples e delirante náufrago, sozinho, se afogando no mar.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Batman

"Sabe por que eles o atacaram, não sabe?
Estavam com medo de você."

"Com medo de mim?"

"Todas as criaturas tem medo."

"Até mesmo as assustadoras?"

"Especialmente elas."

(Batman Beguins - 2005)

domingo, 5 de maio de 2013

O abismo e o amor

Estou com medo. Meu coração está disparado. Sinto frio na barriga. Não consigo dormir.

Estou morrendo de medo. Não consigo parar de pensar. Não consigo pensar direito. Não sei se tenho fome, ou se é outro o vazio que sinto dentro de mim.

Mas estou com medo. Medo do que sinto estar crescendo dentro de mim. É amor. Puro e verdadeiro. Enorme e arrebatador. Não dá espaço para mais nada. Paro para uma nova olhada. Sim, é amor. Um amor muito grande e inesperado. Um amor que eu jamais poderia esperar.

Afinal, quando esse amor surgiu? Desde quando está ali apertando meu peito, tirando meu fôlego, tomando minha mente? De onde vem esse amor, que chega furtivo, que invade sutilmente, que toma de uma vez só todo o meu domínio?

Mas é amor. Grandioso e belo amor. Amor por você! Não consigo pensar em outra coisa. Se ligo a TV, qualquer programa só faz lembrar você. Se penso nas montanhas do Himalaia, só fico imaginando como seria estarmos os dois lá em cima. Apreciarmos a vista, dividir o momento, trocar olhares e suspiros.

Sem dúvida é amor. Terrível e cruel. Não me perguntastes se eras bem vindo. Apenas chegastes e te alojastes em meu peito. Estúpido amor!

E quanto medo eu tenho. Medo de que não me queiras. Medo de sofrer. Medo de nem tentar, por medo.

Encaro esse amor de frente e congelo. É grande, é arriscado, é perigoso. É belo, é divino, é adorável. É olhar o pôr-do-Sol no horizonte debruçando na beirada de um abismo. É tremer com o medo de cair lá de cima, mas ainda assim querer debruçar-se mais e mais para ver melhor.

E como eu quero me debruçar sobre você. Quero me jogar nesse amor. Mesmo com medo, mesmo com todo o frio na barriga. Mesmo sabendo que a queda, do alto de um amor desses, é certamente fatal. Medo de que os sinais que tu me dá sejam pedras soltas, caindo no nada após perder o apoio onde pensava encontrá-lo.

Mas é tão bela a cena que me seduz. Impede-me de voltar atrás. De desistir e virar as costas. Não, não mais consigo virar as costas à tamanha beleza.

Feliz era quando não sabia o que era amar você! Fosse me dado um único desejo... não saberia o que fazer. Fossem dois, desejaria voltar no tempo em um instante e jamais haver lhe conhecido; e desejaria que esse instante durasse toda a eternidade, para que nunca fosse embora o meu sentimento.

A vida, afinal, parece ter uma fria tristeza embutida nela. E que é responsável por toda a beleza. Observar um campo de flores depois da chuva, refletindo os raios de Sol em suas cores através das infinitas gotas a lhe cobrir... a chuva já veio, lutou, despejou sua ira, castigou com ventos, tentou afogar. Fez muitas flores se curvarem, outras desviarem de seu caminho, algumas feridas, pétalas rasgadas, caules quebrados, raízes expostas. Mas ficaram de pé novamente. A chuva umedeceu o solo. Deu-lhes o tão desejado alimento. E depois foi-se embora. Deixou sua marca, cobrindo sutilmente a epiderme, deixando ínfimas gotículas, finas como a seda, repousando delicadamente. E veio o Sol, aquecendo, jogando um turbilhão de luzes sobre as intrépidas flores. Agora aquecidas, radiantes, energizadas, aproveitando água e luz para florescer mais ainda. Para retribuir a dádiva solar, devolvendo um arco-íris de cores, de aromas. Inundando a paisagem com uma beleza indescritível. Indescritível e efêmera. Assim como a noite veio e cessou, assim como o dia dá lugar à noite, também essas flores brilharão apenas por um tempo. Logo acabarão. Logo restarão apenas marcas. E as marcas também irão. E só sobrará a lembrança, de quem, por um instante, pode apreciar esse espetáculo. Em um breve sopro de sua vida, esbarrou com o mágico, e aquele instante se petrificou. Virou um sentimento sublime. Tornou-se lembrança. Ficaram as marcas daquele momento. Que também passarão. E a vida acabará. E tudo acabará. E tudo continuará.

Não tem como fugir da tristeza da vida. A tristeza está imiscuída em tudo que é belo. E não faz sentido a vida sem a beleza.

Assim também é o meu amor por você. Belo. Triste. Passageiro, embora ainda seja a coisa mais sólida que pode haver. Pequeno, perto do tamanho do sempre, mas enorme perto de tanto quanto posso ter. Imenso. Gigantesco. Brilhante. Maravilhoso amor. Um amor tão grande, que só consigo ver uma coisa que seja maior que ele mesmo. E isso é você. Pois, por maior que seja o amor que sinto, ele é apenas um reflexo do que emana de você!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Chain of thought

Lindo amor

já não sei quem sou

sentado à mesa

deitado na cama

refletir...

Rio de Janeiro,

tão distante, misterioso, indecifrável

um sonho nosso, sonho meu.

Cadê você?

Você viveu, você cresceu

Você morreu no sonho que era meu.

A bondade não se sustentou...

Choro sem parar, por dentro, sem que ninguém veja.

Penso, vivo, rio, me divirto.

Tantos mistérios nessa vida. Sensações a descobrir.

Uma boa angústia, que aperta o peito, mas é bonita e sublime.

Lá ao longe os prédios, tão próximos, dentro de mim.

Dentro da vida. Uma vida inteira. Fé.

Desculpe por tudo.

Só o que vale é a felicidade e o amor que nunca acabará.

O mistério continua para ser sentindo

Embora seja desfeito pela realidade.

Ainda espero te ver. E os seus olhos azuis.

Que escondem muito...

Desculpas. Peço a mim mesmo.

Por ter acreditado apenas em mentiras.

Que eu mesmo contei....

Desculpe-me, por não ter sido feliz o bastante

Para evitar que você fosse tão triste.

Por não ter sido forte o bastante

Para ajudá-la com sua fraqueza.

Por não ter sido real o bastante

Para realizar os seus sonhos...

Alcance a felicidade,

não se esqueça do mistério.

Não se esqueça do infinito.

Não deixe que a vista se canse para o óbvio.

E acredite nas ilusões mais vívidas.

O que importa é o misterioso, o despertar.

É a busca, muito mais que a conquista.

É sentar-se à mesa.

Deitar-se na cama.

Refletir.

Sonhar.

Imaginar.

...

Não me entenda errado... eu apenas te amo.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Quem não consegue enxergar os próprios erros
sempre pensará que tudo no mundo é injusto.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Solidão

Há uma parte de mim que quer uma parte sua.
Tem outra parte em mim que repulsa uma parte de você.
Mas uma parte sem a outra, não consigo ser,
você também não pode desfazer-se em duas.
E no somatório geral, não sei qual das versões ganha
Se a que deseja ou repudia;
a que pulsa ou a que repulsa;
a que quer ou a que desquer;
a que ama ou a que odeia.

Tudo tem dois lados
O nada e o infinito, tão próximos.
O infinito nada tem que o limite,
o nada, é a ausência que não tem fim.
Os opostos são o mais próximo que algo pode chegar
Querendo fugir do Brasil,
virei as costas e fui pro mar.
Em direção ao Japão, sem pensar
Naveguei, naveguei
Só pra descobrir que voltei ao lugar de onde parti.
De tanto me afundar no amor, cheguei a odiar
Tanto naveguei nesse ódio, descobri que era feito de amor.
Amor que estragou, ódio que enterneceu
Paciência que acabou, saudade que me venceu.

Mas no fim das contas não faz diferença,
a mais doce poesia ou o mais vociferante palavrão
de nada tem valor sem que haja um ouvinte.
E assim, meu amor são palavras ao vento,
que ecoam, perdidas, vazias,
sem que você me as escute.

domingo, 7 de abril de 2013

Memória

O Sol nasce e se põe, seguido da Lua. Seus ciclos se seguem indefinidamente. Dia após dia. Os rios correm apressadamente para o mar ou desembocam, suaves, num lago, onde descansam e preguiçosamente se arrastam em direção a outro rio, outra correria. Os vegetais brilham esplendidamente sob a luz do Sol, ambiciosos por crescer, florescer, frutificar, fazer parte da alegria da vida, do milagre à volta. Em torno deles, perambulam pássaros. Doces, amáveis, divertidos. Cantos suaves, acompanhando a harmonia do vento no farfalhar das folhas, nas dobras gigantes das montanhas distantes. O mesmo vento que sussurra aos ouvidos. Que beija levemente a face. Que acaricia por dentre os botões da minha camisa entreaberta. Fecho os olhos. Entrego-me à sedução da natureza. Perco-me em doces desejos, leves afagos, românticos beijos, memórias veladas, tristezas passadas... o vento, leve como a carícia de suas mãos; o calor de seu corpo vindo do Sol; a voz que me dizia suavemente "cheguei"; a alegria de lhe ter, diluída na certeza torpe "como vai doer quando você não me amar". E afagava seus cabelos. Deslizava pela sua pele. Afundava no seu sorriso. Como podia saber que não éramos feitos um para o outro se, ao mesmo tempo, era tão bom estarmos juntos? Talvez como o brilho do Sol, que aquece a todos, mas não pertence a nenhum. E a cada dia o Sol nasce novamente, e se põe novamente. Aquece novos corações, abandona sozinhos no escuro. E segue. Inatingível, inexorável, indiferente. Simplesmente segue. Tudo mais segue. A vida segue. O rio correu, está longe, mas seus companheiros seguem atrás dele apressados, impacientes. Ocasionalmente se detêm num turbilhão, giram e giram, como os pensamentos que giram, que se detêm por um instante. E o que significa um instante na vida de um rio? Quanto tempo pode o pensamento girar até seguir novamente seu curso? Ou até o rio secar? Os pensamentos giram, sem sair do lugar. Giram pelas memórias. Sofridas memórias. Confusas memórias. Minhas memórias. Giram sem encontrar seu lugar. Não têm mais lugar. A vida seguiu, o Sol se pôs, a rosa floriu, e seu mundo acabou. Agora gira, sem saber onde parar. São apenas memórias, sem mundo, sem cara, sem gente, sem cheiro... memórias sem lugar. O Sol que agora brilha, não é o mesmo que brilhava lá. A Lua esqueceu-se de ti. Apenas você segue sem sair do lugar. Memórias, minhas memórias. Vocês não tem lugar onde repousar e por isso infestam minha mente. Não me deixam esquecer que um dia tudo foi diferente, que o mesmo Sol que agora brilha, já não brilha como em outro lugar. Que se o canto dos pássaros me enchia de alegria, agora apenas tristeza me trazem, porque fazem, de você, eu me lembrar. E saber que nosso amor se pôs e nasceu noutro lugar. Distante. Intocável. Que eu só posso, de longe, apreciar.